Faro: “Toquei-te no ombro e fugi” na GAMA RAMA
A GAMA RAMA inaugura, no próximo dia 25 de junho, às 18h00, a exposição de arte coletiva “Toquei-te no ombro e fugi”, reunindo obras de João R. Ferreira (Caldas da Rainha, 1985), Patrícia Mariano (Lisboa, 1988), Paula López-Bravo (Madrid, 1986), Paulo Albuquerque (Rio de Janeiro, 1988) e Vasco Maio (Lisboa, 1983). A mostra ficará patente até 30 de setembro no espaço da galeria, na Rua do Prior, em Faro.
O título convoca uma brincadeira conhecida da infância: tocar alguém no ombro e fugir antes que se vire. Um gesto simultaneamente lúdico e provocador, onde o contacto existe apenas para imediatamente se retirar. A exposição parte dessa imagem para reunir obras que exploram diferentes formas de aproximação ao mundo através de elementos ficcionais e reais, memórias, paisagens e uma nostalgia subtil. Esta brincadeira infantil ressoa, por isso, como um modo de nos interpelar - ou deslocar - do lugar a partir do qual normalmente vemos o mundo.
Entre arquivo e ficção, João R. Ferreira constrói narrativas fragmentadas onde desenho, imagem e memória se reorganizam continuamente. Também a narrativa ocupa um lugar central na pintura de Paulo Albuquerque, que transforma observações do quotidiano em composições densas, marcadas pela sobreposição de elementos, ritmos e relações humanas.
Num registo mais contemplativo, Vasco Maio desenvolve paisagens depuradas onde horizonte, luz e atmosfera se tornam instrumentos para explorar estados de suspensão, silêncio e expectativa. A dimensão simbólica surge de forma distinta na obra de Patrícia Mariano, que habita um território entre realidade e imaginação, construindo imagens figurativas de forte carga poética e alegórica. Já Paula López-Bravo situa-se entre a abstração e a figuração, utilizando cor, gesto e textura para criar espaços de perceção onde memória, emoção e experiência se entrelaçam.
Embora distintos nas suas linguagens, os cinco artistas partilham uma atenção ao que permanece em aberto. Tal como no gesto sugerido pelo título, as obras reunidas operam num território de aparição e desaparecimento, convocando o espectador para um encontro breve, mas persistente; não partilham um tema, mas um impulso: o de condensar, num instante, aquilo que habitualmente permanece oculto.
A GAMA RAMA afirma-se como uma das plataformas independentes mais ativas do Algarve no campo da arte contemporânea, articulando exposição, produção e programação cultural num espaço de experimentação contínua. A recente expansão para instalações de maior dimensão no centro histórico de Faro reforça a sua vocação como hub cultural e lugar de encontro para práticas artísticas contemporâneas.
Ademar Dias




