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Há cada vez mais portugueses a trabalhar enquanto comem

A pandemia obrigou milhares de pessoas a trabalhar a partir de casa, alterando rotinas e hábitos no dia-a-dia de trabalho. As mudanças estendem-se, também, à pausa para o almoço. Em teletrabalho, tornou-se mais comum trabalhar enquanto se almoça, mas, para os portugueses, a pausa para almoço passou também a ser um momento para cozinhar, desfrutar do tempo em família ou realizar tarefas pessoais, conclui o estudo “Pausa para Almoço: a Covid-19 e as novas rotinas alimentares”, da empresa de entrega de refeições portuguesa EatTasty em parceria com a Zomato, e que inquiriu 1.182 pessoas em Portugal e mais de 500 em Espanha, entre maio e junho.

Antes da pandemia, levar comida de casa para o local de trabalho era o cenário mais habitual, tanto em Portugal como em Espanha, mas o confinamento trouxe novas oportunidades para os negócios de food delivery. De acordo com o estudo, os portugueses estão mais disponíveis para encomendar comida, com esta opção a subir de 11,7% para 14,3%.

Antes da pandemia, 80% dos inquiridos passava a sua hora de almoço a conviver com os colegas, no restaurante ou a passear depois de almoçar na cantina. Assim, a vontade de desfrutar da pausa para almoço como um momento de socialização mantém-se para 47% das pessoas. Contudo, o confinamento também está a mudar outros hábitos: 50% dos portugueses aproveita este momento para cozinhar e 20% diz ser um bom momento para estar com a família.

Para os portugueses, a pausa para almoço tornou-se ainda um espaço para que tarefas individuais — de leitura, por exemplo — se possam tornar mais relevantes, refere o mesmo estudo. Já em Espanha, esta é a última opção, pois os espanhóis preferem aproveitar a pausa de almoço para cozinhar. Além disso, há mais pessoas a almoçar ao mesmo tempo que trabalham, um indicador que aumentou de 6% para 18% em Portugal, e de 15% para 30% em Espanha.

“A comida desempenhou um papel fundamental para os tempos de pandemia: ao mesmo tempo que nos manteve produtivos e, assim, ligados a uma sensação de rotina (as refeições ajudam a determinar o ritmo dos dias), o ato de cozinhar e preparar alimento também serviu como união entre as pessoas”, sublinha a empresa.

Entre cinco a oito euros, é o valor médio gasto por almoço, e 85% dos inquiridos não pretende rever estes números no contexto do pós-pandemia.

No entanto, 60% dos portugueses admite que teve de repensar o que mais importa na comida com o aparecimento da Covid-19, mas o fator “saudável” continua a ser o mais importante no momento de escolher. No pós-pandemia, o fator “sabor” desaparece, e os três atributos mais valorizados na escolha da comida para a pausa de almoço são, por ordem de importância, o ser “saudável”, a “conveniência” e o “preço”.

Cerca de um em cada dez inquiridos (12%) em contexto de teletrabalho passou a encomendar mais vezes comida através de serviços de take away ou delivery, e mais de seis em cada dez dos que nunca utilizavam serviços de entrega passaram a encomendar refeições, pelo menos uma vez por semana. Algumas das pessoas que almoçavam habitualmente em cantinas ou em restaurantes passará a encomendar, revela a EatTasty.

No contexto pós-Covid, as medidas de segurança e higienização, o preço e a confiança na marca, também surgem como sendo as mais importantes para quem encomenda refeições. “Além da preocupação normal de ter um bom preço e um cardápio variado de alimentos, esta nova ‘era’ traz à tona a transparência de ter fortes medidas de segurança. Essa é a principal variável a ser considerada ao tentar recuperar a confiança das pessoas“, conclui a empresa.

 

Ademar Dias

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