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A Diocese do Algarve, através da Pastoral da Cultura, promoveu a realização de um Fórum Cultural, subordinado ao tema “Cultura e Identidade: A Fidelidade à Verdade”, durante o qual se debateu a cultura a partir da identidade algarvia.
O encontro realizou-se nos dias 11 e 12 de Maio, no Hotel Albacora, em Tavira e reuniu várias personalidades algarvias. Na Igreja da Misericórdia, em Tavira, foi inaugurada, no dia 11, uma exposição de Pintura, Pintura Digital, Escultura, Fotografia, que reúne, um conjunto significativo de artistas algarvios, André Bôto, Miguel Veterano, Clara Andrade, Henrique Silva, Stela Barreto, Tiago da Silva, Arlindo Arez, Teresa Paulino e Pedro Félix. À noite, no Hotel Albacora, foi visionado o Filme: “Noite de Paz”, com debate moderado pelo realizador e argumentista de Cinema Artur Ribeiro.
No dia 12, na abertura do Fórum, estiveram presentes Sua Exa. Revma. o Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas; o Presidente da Câmara Municipal de Tavira, Dr. Jorge Botelho e o Magnifico Reitor da Universidade do Algarve, Prof. Doutor João Guerreiro.
No I Painel, participaram: Nuno Júdice, António Manuel Martins e António Rosa Mendes e no II Painel: Guilherme de Oliveira Martins (por vídeo gravação), Pedro Ferré e Elisabete Rodrigues. Na sessão de encerramento, estiveram presentes a Dr.ª Dália Paulo; Directora Regional da Cultura do Algarve, Director do Sector diocesano da Pastoral da Cultura, Pe. Carlos Aquino; Director Departamento CS e Cultura da Diocese do Algarve, Pe. Miguel Neto.
Após o encerramento, falamos com o Pe. Carlos Aquino, sobre o tema Fidelidade, no casamento e na união conjugal, permitida por Lei, um tema a reflectir:
- Não é exactamente a temática deste Fórum. Claro que temos o Sacramento do Matrimónio e da beleza que é a constituição familiar. Perversamente, utiliza-se a expressão casamento ou matrimónio, para muitas relações que não têm propriamente a ver com a identidade. Com aquilo que é o matrimónio. Que é uma identidade cultural. Uma identidade de memórias. Uma identidade da verdade, do ser da pessoa. A Igreja é perita da humanidade e por isso mesmo, quer na sua doutrina, quer no acolhimento, quer na verdade, que anuncia e promove, nunca poderá pactuar em nome de uma modernidade ou de uma cultura nova, a realidade que ela sabe, por experiência, por verdade e por fidelidade à verdade, que não contribuem para a promoção da pessoa humana, nem própria realidade familiar. E, portanto, claro, que a Igreja não é obscura na defesa dessa questão. Uma coisa é o acolhimento às pessoas, cujas experiências de vida possam não estar em tudo de acordo com esta verdade, mas que é um princípio que não anula o princípio de uma fidelidade à verdade que é preciso ser proclamada, defendida, porque defender a verdade é defender o homem, o ser humano – homem/mulher – na sua dignidade, na sua diferença. Isso não pode ser anulado.
- Essa verdade, essa fidelidade, está nos milhares que peregrinos que estão em Fátima?
- Sim. De facto, o mistério que continua a sensibilizar, sobretudo o povo português, porque aqui se realizou neste espaço, porque essa foi a mensagem de Fátima, de oferecermos a nossa própria vida, o que ela tem de belo e de grande. Essa oferta da vida a outros. Por isso, quando Nossa Senhora acolheu os pastorinhos e eles acolheram a mensagem, perceberam que fazer sacrifícios é exactamente dedicar essa vida de atenção a outros. Ao irmão que sofre, que precisa de ser liberto. Que precisa de pão, nem que isso seja dar o seu sacrifício da própria vida. Dar pão ao último. Isso é positivo. Cria comunhão. Isso está no projecto de Fátima. Por isso, como já não se há muito tempo, uma enorme peregrinação a Fátima, à volta, pelo que ouvi, de uns trezentos mil.
- Nos momentos de crise, as pessoas agarram-se à Fé?
- Também temos notado, neste tempo de crise, quanto a Igreja tem sido perita na fraternidade e na ajuda desinteressada. Neste tempo de crise, se não fosse a generosidade dos cristãos, dos pobres dessa classe média que também se vai destruindo, já tinha, a meu ver, talvez, havido um levantamento público. De facto, a Igreja tem dado muitos exemplos e tem correspondido em muitos casos. Não só pelas estruturas próprias, as chamadas IPSS, grupos de voluntários, mas também em Paróquias que se organizam para dar alimentos, para dar ajuda aos necessitados que cada vez vão sendo mais. Penso que este contributo humanitário que faz parte da dignidade da própria pessoa humana, tem sido valorizado. As pessoas notam isso. A Igreja nunca está fora, nem ausente.
- Essa presença, está viva no apelo às dádivas de sangue, para repor os stocks, através das Dioceses?
- Sim. A própria Conferência Episcopal, também se mobilizou nessa causa e todos os interessados, nesse serviço humanitário, pela defesa da vida. A Igreja estará sempre na primeira linha.
Geraldo de Jesus
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