OCDE melhora previsões de crescimento para Portugal

OCDE prevê que Portugal registe crescimento acima de 2% até 2019.

 

O mais recente relatório sobre a economia portuguesa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - OCDE - apresenta dados globalmente positivos, ainda que fiquem alguns avisos sobre possíveis fragilidades.

As previsões de crescimento são ligeiramente menos otimistas do que as do Governo em 2018, mas até ultrapassam os números avançados pelo Ministério das Finanças para 2019: a OCDE aponta para um aumento da produção equivalente a 2,3% do PIB em ambos os anos, enquanto o Governo prevê um crescimento de 2,6% no próximo ano e um aumento de 2,2% em 2019.

"A política orçamental deverá ser moderadamente expansionista em 2018 (como em 2017), com um aumento do investimento público. Isto reflete um aumento na captação de fundos da União Europeia e custos de financiamento mais baratos", explica a OCDE na análise, antes de avisar sobre algumas dificuldades que deverão limitar a expansão económica portuguesa: "Enquanto o investimento público adicional deverá ajudar a assegurar que a recuperação tem base firme, uma maior expansão orçamental poderá trazer o risco de menorizar a sustentabilidade do Orçamento".

"A dívida pública continua a ser muito elevada e limita a capacidade do Governo de responder em caso de futuros riscos externos. Apesar da estabilidade do setor financeiro ter melhorado nos anos mais recentes, a baixa qualidade dos ativos e os lucros baixos reduzem a capacidade de aguentar um choque económico externo."

Em relação ao défice, a OCDE é ainda mais ambiciosa do que o Governo. Em 2018, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico aponta perdas de 1% do PIB, menos um ponto percentual do que o Ministério das Finanças; em 2019, a OCDE calcula que as perdas públicas sejam residuais, cerca de 0,3% do PIB.

Este ano, o Governo assumiu um objetivo de défice de 1,4% do PIB, um número que para a OCDE é ligeiramente otimista: a organização liderada por José Angel Gurría calcula que o resultado final seja de 1,5%.

Para acabar, a OCDE deixa ainda um aviso claro à navegação.

"Uma recuperação mais forte do que a esperada nos parceiros comerciais de Portugal pode levar a um aumento das exportações e do investimento acima do projetado. Ainda assim, um aumento menor da produtividade pode reduzir a competitividade de preços em Portugal. Tendo em conta o saldo elevado de crédito malparado no sistema bancário e a dívida pública elevada, qualquer novo choque externo negativo poderá ser particularmente desafiante."

 

Ademar Dias

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