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Escavações arqueológicas em Cacela Velha regressam em 2020 e têm projeto de musealização no horizonte

A campanha de escavações arqueológicas em Cacela Velha caminha para a reta final e recebeu, esta quinta-feira, a visita da presidente da Câmara Municipal de VRSA, Conceição Cabrita, da Diretora Regional de Cultura do Algarve, Adriana Freire Nogueira, e da Vice-Reitora da Universidade do Algarve, Ana Freitas.

 

Vidreira Louletano

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A campanha de escavações arqueológicas em Cacela Velha caminha para a reta final e recebeu, esta quinta-feira, a visita da presidente da Câmara Municipal de VRSA, Conceição Cabrita, da Diretora Regional de Cultura do Algarve, Adriana Freire Nogueira, e da Vice-Reitora da Universidade do Algarve, Ana Freitas.

Denominado «Muçulmanos e cristãos em Cacela medieval: território e identidades em mudança», o projeto de investigação resulta de um protocolo de colaboração entre as três entidades. Tem um horizonte de 4 anos e encontra-se a estudar o bairro medieval islâmico (séculos XII-XIII) e a necrópole da Ermida de N. S. dos Mártires (séculos XIII-XVI).

«Na campanha deste ano, já chegámos aos níveis islâmicos, pelo que, do ponto de vista científico, foi um sucesso. Em 2020, vamos abrir novas áreas em busca da famosa ermida de Nossa Senhora dos Mártires que, muito provavelmente, estaria a acompanhar a necrópole cristã. Vamos também tentar encontrar a necrópole paleo-cristã ou a necrópole islâmica», descreve Maria João Valente (Universidade do Algarve) que, juntamente com Cristina Tété Garcia (DRCAlg), coordenou os trabalhos arqueológicos.

«Este ano, a maior novidade foi o elevado número de sepulturas humanas encontradas, muitas delas difíceis de escavar porque pertenceriam a bebés e crianças, o que revela que teríamos, à data, uma elevada prevalência de mortalidade infantil. Por outro lado, encontrámos restos cerâmicos com uma elevada qualidade, o que foi muito proveitoso do ponto de vista científico», prossegue Maria João Valente.

De acordo com a presidente da Câmara Municipal de VRSA, Conceição Cabrita, «o projeto continuará nos próximos dois anos e permitirá aprofundar o conhecimento sobre o passado de Cacela Velha e contribuir para a musealização deste território».

Para a Diretora Regional de Cultura, Adriana Freire Nogueira, «esta campanha é sinónimo da defesa e da salvaguarda do património, pelo que a instituição não poderia ficar fora deste protocolo e contribuir para a preservação deste importante sítio arqueológico».

Ao longo de quatro semanas, o Campo-Escola de Arqueologia de Cacela acolheu investigadores e alunos universitários, envolvendo cerca de 30 participantes nacionais e estrangeiros. Os trabalhos incluíram a escavação, registo e análise das diferentes camadas, recolha de sedimentos, bem como a identificação de materiais como cerâmicas, restos alimentares, peças de metal, entre outras.

Através destas medidas, pretende-se não só consolidar a informação histórico-arqueológica já adquirida, mas também obter novos dados que permitam alargar e detalhar o conhecimento sobre o território onde a povoação de Cacela se estabeleceu e sobre as comunidades humanas que o habitaram ao longo da Idade Média (séculos X-XV).

 

Ademar Dias

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