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Albufeira: exposição sobre sismo de 1969 motiva encontro de memórias e de forças da Proteção Civil

“28 de fevereiro de 1969: memórias do sismo”, é o título da exposição inaugurada ontem ao final da tarde no Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira, que motivou a presença de testemunhos locais: Victor de Sousa, Arménio Aleluia Martins e Marcos Bila, sendo os dois primeiros correspondentes na altura do Diário de Lisboa e Diário de Notícias, respetivamente. José Carlos Rolo assegurou que a Proteção Civil está preparada e que está “em alerta permanente”. Abel Gomes, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil afirmou que “a resposta está prevista” e o autor da exposição foi perentório: “Não tenhamos dúvidas! Ele vai acontecer”.

 

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“Não tenhamos dúvidas! Ele vai acontecer”, afirmou ontem Luís Matias, membro do CERU - Centro Europeu de Riscos Urbanos e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - Instituto Dom Luiz, na inauguração da exposição “28 de fevereiro de 1969: memórias do sismo”, no Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira, ao final da tarde. Trata-se de uma exposição constituída por 10 painéis com as notícias que saíram na imprensa na época e que relatam sobretudo as memórias do sismo, sendo dois desses painéis dedicados ao próprio sismo e à sismicidade de Portugal Continental. Por parte do Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira, Idalina Nobre fez uma breve enumeração dos sismos ocorridos no Algarve desde o período romano, salientando nomeadamente uma das ilhas que existia a leste da costa vicentina e que desapareceu.

A afluência de público foi elevada, não só para apreciar a exposição, como também para ouvir três testemunhos locais da época: Victor de Sousa, Arménio Aleluia Martins e Marcos Bila, sendo os dois primeiros correspondentes na altura do Diário de Lisboa e Diário de Notícias, respetivamente. Victor de Sousa assinalou que os maiores danos foram na zona do barlavento, nomeadamente em Fontes dos Louzeiros, pertencente a Silves e em Lagos e Vila dos Bispo, ao passo que Arménio Aleluia Martins corroborou esta situação, apontando que, na altura trabalhando na empresa Faceal - Fábrica de Cerâmica do Algarve, Lda., foram doados pela empresa seis camiões de tijolos para a reconstrução de edifícios em Vila do Bispo. “De resto, em Albufeira tivemos fissuras nas casas, árvores caídas, alguma destruição na via pública, mas sem registos de gravidade maior. E tivemos muito medo”, referiu Arménio Aleluia Martins, lembrando que ao longo de vários dias subsequentes houve diversas réplicas, de menor magnitude, em toda a região. Marcos Bila, na altura com 14 anos, estudava em Faro e partilhava um quarto com mais dois conterrâneos. Disse recordar-se dessa noite de “gritos, a senhoria da casa estava em pânico, muitas pessoas cheias de medo na rua e todas as pessoas corriam para o exterior. Enquanto corriam eu andava preocupado com os sapatos debaixo da cama.”

A abertura deste momento, pelo presidente da Câmara Municipal de Albufeira, José Carlos Rolo, ficou marcada pela sua preocupação face à probabilidade de acontecer novamente um sismo de grande magnitude: “Não podemos pensar que só acontece aos outros; temos uma Proteção Civil em Albufeira ativa e muito preocupada com a formação que é necessário dar a todos os cidadãos. Estamos em alerta permanente e as pessoas também têm que ter esta consciência de que a qualquer altura, imprevisivelmente, pode acontecer”.

Luís Matias, apontando o sismo de 28 de fevereiro de 1969 como o mais grave desde 1900, salientou que a importância desta exposição reside na memória, para que não se esqueça e para que promova a sensibilização, “porque vai acontecer!”. Frisando o papel da educação dos cidadãos para esta matéria, apontou ser necessário e com urgência, haver a aprovação do Regulamento de Construção Anti-sismica, matéria de que se fala há cerca de uma década.

Destaque para a presença do Comandante Abel Gomes, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que afirmou “a resposta operacional está prevista e é atualmente a nossa linha condutora das principais ações, estando previsto quem faz o quê, como e quando”. Referiu haver sismos no Algarve todos os dias e “um dia, sabemos, temos que agir”.

No final dos painéis, a Proteção Civil de Albufeira apresentou um vídeo que tem vindo a divulgar sobre comportamentos a adotar em caso de risco: “Embora não consigamos prever o sismo, podemos minimizar os seus efeitos, identificando antecipadamente as zonas de maior risco, construindo estruturas e edifícios mais resistentes, promovendo a educação para o risco e ações de sensibilização entre a população, elaborar planos de emergência e treinar os comportamentos a adotar antes, durante e depois de um sismo”, referiu Leonor Teixeira, técnica desta estrutura municipal.

Esta exposição já esteve patente em vários Municípios do país e irá ser exposta até 17 de agosto em Albufeira no Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira. Regressará a Albufeira no final do ano, para estar patente de 11 a 30 dezembro na Biblioteca Municipal Lídia Jorge e na altura serão feitas diversas ações com a comunidade escolar. É da autoria de Luís Matias, membro do CERU e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - Instituto Dom Luiz, contou com a colaboração de várias pessoas e diversas instituições portuguesas. A iniciativa nasceu no âmbito das atividades desenvolvidas na evocação do sismo de 28 de Fevereiro de 1969, por ação do Centro Estudos Riscos Urbanos organizou em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica.

O momento inaugural contou também com atuação do cantor, compositor e guitarrista Paulinho Lemos, que brindou os presentes com temas alusivos ao mar e ao planeta.

Satisfeita com esta ação, a Vereadora da Cultura, Ana Pífaro, salienta que “este é mais exemplo de como a Cultura tem um papel fundamental na sensibilização das pessoas de um modo às vezes mais profundo que uma campanha. No final do ano esta exposição estará na nossa Biblioteca e serão feitas diversas atividades em torno da mesma. Juntar as pessoas não pode ser apenas nos momentos de risco”.

 

Ademar Dias

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